10. COLÉGIO ELEITORAL

A luta continua: se perde a batalha, mas não a guerra

É verdade que a frustração foi imensa com a rejeição da Emenda Dante de Oliveira pelo Congresso Nacional. Milhões de brasileiros ficaram “sem chão” e parte da oposição não escondeu a desilusão que a perda lhe causara. Mas a reação foi rápida e a decisão foi de enfrentar o Colégio Eleitoral. Para isso, é construída aliança com parte do PDS, que dava sustentação ao regime. Nesse momento a candidatura de Tancredo Neves ganha força.


E é justamente nessa parte da história que se reconhece a grandeza de Ulysses Guimarães. Com a derrota das Diretas, ele se retira do protagonismo e apoia a candidatura do companheiro de batalha. “Ser candidato não é o importante. Importante é tomar uma decisão que restabeleça a democracia no país”, ensinou Ulysses.


Esse episódio se mantém vivo na memória do ex-senador Pedro Simon, que reconhece a generosidade do seu grande líder. “Quando a situação se reverteu em favor de Tancredo Neves, ele não vacilou. Abriu mão de sua candidatura e foi coordenar a campanha de Tancredo. Sei que estava sofrendo, mas como político experiente ele compreendia e aceitava a realidade”, contou Simon em entrevista à Agência Brasil, reproduzida no livro “A história de um Rebelde”.

O hábil político de São José Del-Rei que havia sido vereador, deputado estadual, deputado federal, ministro da Justiça de Getúlio Vargas e governador de Minas Gerais foi eleito para comandar o Brasil no dia 15 de janeiro de 1985, primeiro presidente civil em 21 anos. No Colégio Eleitoral derrotou Paulo Maluf, do PDS, por 345 votos a 124. Além destes, foram registrados cinco votos em branco.

Mas por força do destino o presidente eleito é internado na véspera da posse e causa agitação e comoção em toda nação brasileira. O infortúnio é anunciado pelo então secretário da presidência da República, o jornalista Antônio Brito: 

 - Lamento informar que o presidente da República, Tancredo de Almeida Neves, faleceu nesta noite, no Instituto do Coração, às dez horas e 23 minutos. Nos últimos 50 anos a vida pública de Tancredo Neves confundiu-se com os sonhos e ideais brasileiros de união, de democracia, de justiça social e de liberdade. Nos últimos meses, pela vontade do povo e com a liderança de Tancredo esses ideais se transformaram na nova República (...) Com a mesma determinação o Brasil haverá a partir de agora realizar os ideais do líder que acaba de perder.

Tancredo Neves, o personagem da esperança, morre em 21 de abril aos 75 anos. Seu funeral foi o maior da história até aquele momento. Os versos de Milton Nascimento na canção “Coração de Estudante” – que fora um chamamento para restabelecimento dos laços democráticos –, comove ainda mais a nação que chora a sua perda: 

Já podaram seus momentos./ Desviaram seu destino. / Seu sorriso de menino. Quantas vezes se escondeu. /Mas renova-se a esperança. /Nova aurora a cada dia. E há que se cuidar do broto, Pra que a vida nos dê Flor, flor e fruto.

Apesar de toda dor, com ferida ainda aberta, o povo renova a esperança como na música de Milton Nascimento. E novamente emerge a figura de Ulysses Guimarães que levanta a bandeira de uma nova Constituição Brasileira. A luta continua!

Créditos

Por ordem nesta página:
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- Antônio Carlos Piccino 

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3ª Vogal: Paula Facco Librelotto
4º Vogal: Beto Fantinel
1ª Suplente: Fátima Daudt
2º Suplente: Gustavo Stolte
3º Suplente: Paulinho Salerno
4º Suplente: Ricardo Adamy

Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)

Revisão histórica: Evelise Neves

Identidade visual: Agência Comversa

Criação Hotsite: Flame Design

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