A vitória da Anistia – primeira grande conquista do MDB –, põe em estado de alerta o regime autoritário que extinguiu os partidos políticos. Ao criar o bipartidarismo com o Ato Institucional nº 2 (AI-2), o objetivo do governo militar era de se fortalecer no poder e controlar a oposição. Porém, não contava com a rebeldia do seu opositor e com a grande revolução que o partido haveria de travar em nome da liberdade. Foi o clássico caso do “feitiço que virou contra o feiticeiro”.
Para que os militares se mantivessem no comando da nação, intensificaram a repressão para travar o crescimento do Movimento Democrático Brasileiro. A saída então foi “permitir” à volta dos partidos políticos, estimulando o surgimento de quantas novas legendas fossem possíveis. Foi decretado a extinção compulsória do bipartidarismo, que eles mesmos haviam criado. Além disso, impuseram que a partir dali todas as legendas acrescentassem à sua denominação a letra “P”, tentando sufocar o fortalecimento da sigla MDB.
E como se não bastassem essas imposições do casuísmo eleitoral produzido pelo PL nº 37, que alterava a Lei Orgânica dos Partidos Políticos e aprovado em plenário no dia 9 de outubro de 1979, também se determinou a extinção dos atuais partidos. Dessa forma, para se manter vivo, o MDB precisaria ser refundado e iniciar do zero o processo de filiações e sua respectiva organização nos estados e municípios.
Enquanto a Arena era substituída pelo Partido Democrata Social (PDS), pois lhe cabia a mesma regra, o MDB fez uso da própria imposição para se reafirmar. Optou por apenas acrescentar a letra “P” e se manter em nome e ideologia. Deixava claro que a essência se mantivera, assim como os seus compromissos.
“Veja como o MDB tirava o sono dos ditadores, que nem sequer o nome queriam ouvir”, observou o ex-deputado Ibsen Pinheiro ao rememorar esse trecho da história durante entrevista à Revista Cinquentenário. Ele contou que ao debater sobre a definição do nome, uma palavra tomou curso: sucedâneo. “Com essa palavra descrevemos a nossa intenção. Através da mudança imposta, nos manteríamos os mesmos. Ora, se todos os partidos tinham que se tornar partido, o nosso ganharia apenas um P, para ser o PMDB o mesmo MDB”, explicou Ibsen naquela ocasião.
No dia 15 de janeiro de 1980 deputados, senadores e membros do extinto MDB fundaram o PMDB, ocasião em que Ulysses Guimarães foi aclamado presidente. O Registro Provisório foi concedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 9 de junho e deu-se o prazo de um ano para cumprimento de todas as exigências legais para a obtenção do Registro Definitivo.
Odacir Klein conta que a volta do pluripartidarismo lançou ao PMDB o desafio de se manter forte. “Não tínhamos apenas um novo nome, o partido era novo, as filiações eram novas também”, observa. Com essa imposição, coube aos dirigentes e militantes do antigo MDB percorrer os municípios de todo o País para filiar pessoas e garantir o número mínimo de diretórios municipais para obtenção do registro junto ao TSE. Depois de árdua luta, ele é concedido em 30 de junho de 1981.
Por ordem nesta página:
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2º Vogal: Fábio Branco
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4º Vogal: Beto Fantinel
1ª Suplente: Fátima Daudt
2º Suplente: Gustavo Stolte
3º Suplente: Paulinho Salerno
4º Suplente: Ricardo Adamy
Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)
Revisão histórica: Evelise Neves
Identidade visual: Agência Comversa
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