Os últimos anos da década de 60 e o início de 70 foram extremamente violentos. Foi um tempo em que muitos integrantes das fileiras da resistência foram levados à morte pela mão da tortura. Não por coincidência, também foi o momento da afirmação do MDB como a mais importante instância de oposição ao regime ditatorial.
Apesar das regras eleitorais serem impiedosas contra a legenda, a luta tomava corpo. Depois da grande derrota nas eleições de 1970 – quando o partido diminui sua representação na Câmara dos Deputados de 132 parlamentares para 87 e elege apenas seis senadores de um total de 40 – o MDB recupera o fôlego e é protagonista da grande virada nas eleições de 1974.
No livro “A história de um Rebelde” o ex-deputado Tarcísio Delgado diz que a força da legenda vinha da coragem com que deputados e senadores combatiam o Regime e de sua militância espalhada por todo o país.
Ele atribuiu ao grupo dos chamados “Autênticos” a afirmação do MDB.
Os autênticos eram considerados a vanguarda do partido, que tomavam as decisões mais destemidas. Mais comedido, era o grupo intitulado “Moderado”, ao qual pertencia Ulysses Guimarães. “Mas Ulysses era um verdadeiro autêntico, porém, entendia que podíamos fazer política sem ir para o confronto direto”, recorda o ex-deputado Odacir Klein, membro dos autênticos.
Odacir – quatro vezes deputado federal –, complementou que a divisão entre autênticos e moderados não chegou ao Rio Grande do Sul por obra de Pedro Simon. “Ele tinha uma liderança positiva e manteve a nossa unidade. Essa divisão não chegou até aqui, ficou em Brasília, limitada à atuação dos parlamentares”, observou o ex-deputado.
Depois de assumir a presidência do MDB Nacional na V Convenção, em abril de 1972 – com o discurso de “começar um novo dia” –, Ulysses Guimarães se entregou ao projeto da anticandidatura à presidência da República. Seu vice é Barbosa Lima Sobrinho, então presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). O objetivo era denunciar a farsa das eleições indiretas no Colégio Eleitoral, que se tratava de um “jogo de cartas marcadas”.
Estimulado pelo sonho da liberdade, Ulysses percorre o Brasil realizando dezenas de caravanas. O que inicialmente parecia uma atitude “quixotesca”, ganha adesão de importantes segmentos da sociedade e o seu reflexo é mais um passo em direção à redemocratização.
Nas eleições de 1974 o MDB ampliou de 87 para 160 a sua representação na Câmara dos Deputados, sendo 19 deles gaúchos. Com esse resultado, aumentou a sua bancada em mais de 50%. Além disso, elegeu 16 senadores de um total de 21, dos quais, um gaúcho: Paulo Brossard.
Na avaliação do saudoso ex-presidente do Diretório Estadual, deputado Ibsen Pinheiro, em entrevista concedida em 2016, o papel do MDB passou a ser decisivo naquele período, pois percebeu e sustentou que a forma mais eficaz de derrotar o regime militar seria usar o espaço de liberdade que havia começado a ser construído no Brasil.
“Com esse entendimento, começou uma conspiração silenciosa que culminou no processo eleitoral. Passamos a ser um instrumento confiável das forças oposicionistas. A partir da vitória legislativa de 1974 o movimento começou a fase de afirmação e se torna imbatível, mais tarde, sendo instrumento para a conquista da anistia, nossa primeira grande vitória”, recordou Ibsen em 2016.
Assim como nacionalmente, a legenda também ganha força nas assembleias legislativas de todo o País. No Rio Grande do Sul o MDB elegeu 33 deputados, e a Arena 23.
O primeiro grande baque para o projeto de poder dos militares foi sem dúvida as eleições de 1974. Nelas, foi perceptível a contrariedade da população ao regime e a adesão de forças populares à luta do MDB. Para evitar o crescimento daquele que era considerado inimigo, novamente, sob o comando do general Ernesto Geisel, responderam com a força do arbítrio.
Em 1976 o governo sancionou a Lei nº 6.339, chamada de “Lei Falcão”, também conhecida como a “Lei da Mordaça”. O objetivo era restringir a propaganda eleitoral e impedir os debates nos meios de comunicação. Com o lançamento do chamado “Pacote de Abril” em 1977, a representação dos estados no Congresso Nacional é alterada.
Diminuíram os parlamentares do Sul e do Sudeste, onde a oposição era mais combativa, e aumentaram nas regiões Norte e Nordeste, controladas pela Arena.
A medida também criou a figura do senador biônico. Com essa novidade, um terço do Senado deixava de ser eleito pelo povo, e passou a ser indicado através de eleições indiretas, pelas assembleias legislativas.
Mas, apesar das alterações no sistema eleitoral, o MDB garante a sua representação. Não faz a maior bancada, mas elege 189 deputados (18 gaúchos). A Arena conquistava 231 cadeiras (14 gaúchos). Já na Assembleia Legislativa ocorre o inverso, pois o MDB é maioria. São eleitos 31 emedebistas e 25 arenistas.
O MDB completa 60 anos de trajetória política neste 24 de março de 2026. São seis décadas de dedicação total e exclusiva às demandas da sociedade brasileira e gaúcha...
Por ordem nesta página:
- Alfonso Abraham Espanhol – Acervo MDB Memória
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1º Vice-presidente: José Fogaça
2ª Vice-presidente: Patrícia Alba
3º Vice-presidente: Márcio Biolchi
Secretário-geral: Giovani Feltes
Secretário-adjunto: Fifo Parenti
1º Tesoureiro: Carlos Búrigo
2ª Tesoureira: Lourdes Sprenger
Sec. Especial MDB Mulher: Cris Lohmann
Líder da Bancada: Edivilson Brum
1º Vogal: Sebastião Melo
2º Vogal: Fábio Branco
3ª Vogal: Paula Facco Librelotto
4º Vogal: Beto Fantinel
1ª Suplente: Fátima Daudt
2º Suplente: Gustavo Stolte
3º Suplente: Paulinho Salerno
4º Suplente: Ricardo Adamy
Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)
Revisão histórica: Evelise Neves
Identidade visual: Agência Comversa
Criação Hotsite: Flame Design