Se hoje a história – contada em livros, revistas, documentários, filmes e internet – está ao alcance e aos olhos de todos, nem sempre foi assim. Com o Ato Institucional nº 5 decretado, em 1968, o regime endureceu ainda mais as regras. O AI 5, considerado por muitos “o golpe dentro do golpe” incluía a proibição de manifestações de natureza política, além de vetar o habeas corpus para crimes contra a segurança nacional.
No mesmo ano, com o decreto nº 62.119, 15 de julho de 1968, o governo criou a Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP), responsável pelas campanhas publicitárias do regime militar. Criando materiais positivos, de afirmação, incentivando o patriotismo dos brasileiros e aproveitando o bom momento da seleção brasileira de futebol, o regime usava e abusava do sentimento para abafar as ações da ditadura. "Brasil, conte comigo", “Este é um país que vai pra frente”, “Brasil, ame ou deixe-o”, foram alguns dos slogans usados.
O general Emílio Garrastazu Médici, presidente entre outubro de 1969 e março de 1974, teve a sorte de ver o Brasil ganhar a Copa do Mundo de 70, conquistando o Tri Campeonato, e encontrou naquele momento, em que milhões de brasileiros comemoravam o título de uma das mais brilhantes seleções de todos os tempos – alheios aos jogos de tortura que ocorriam nos porões dos DOICS e DOPS de todo o país –, a oportunidade para promover ‘avanços’ do país, embalados pelo jingle “Pra frente Brasil”.
Considerados os “anos de chumbo”, o final da década de 60 e os primeiros anos da década de 70 foram dos mais opressivos da Ditadura Militar. O regime prendia, torturava e matava aqueles que ousavam pensar ou agir diferente das regras impostas pelos militares. O livro “Brasil Nunca Mais”, de 1985, apresenta o resultado de uma pesquisa, que analisou durante cinco anos mais de 900 mil páginas de processos judiciais, sobre os instrumentos de tortura e repressão entre o ano 1964 e 1979. O período é definido como:
A tortura foi regra, e não exceção, nos interrogatórios de pessoas suspeitas de atividades contrárias aos interesses do Regime Militar. Tal prática generalizada encontra amparo e fundamento ideológico na Doutrina de Segurança Nacional.
Vítima desse regime de opressão, o saudoso advogado Bona Garcia, ex-chefe da Casa Civil do governo do Estado e ex-presidente do Tribunal Militar do Rio Grande do Sul, foi uma das vítimas do regime ditatorial.
Preso e torturado no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de Porto Alegre durante cerca de um mês, ele apanhou, sofreu tortura física e psicológica e chegou a ficar sem voz durante uma sessão de tortura com choques. Em entrevista exclusiva à equipe de Comunicação do MDB em 2016, Bona revelou que viu companheiros serem mortos e tantos outros atentarem contra à própria vida, em momentos que ele define como trágicos, “quando o ser humano não luta mais pela preservação de sua vida, mas sim para destruí-la”.
Outro personagem icônico deste momento foi o jornalista Vladimir Herzog. Aos 38 anos, casado, pai de dois filhos, Vlado, como era conhecido, foi assassinado no dia 25 de outubro de 1975, em São Paulo, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações, departamento do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). No dia seguinte a sua morte, o Exército divulgou nota comunicando que Herzog havia cometido suicídio – o que foi logo contestado por movimentos sociais de resistência à Ditadura. A notícia teve repercussão nacional e no Rio Grande do Sul o vice-líder do MDB da Assembleia Legislativa, deputado Waldir Walter lamentou a morte do jornalista e criticou o governo Ernesto Geisel, que assumiu naquele ano, com uma comparação entre o fato e os discursos do presidente, que afirmava conduzir uma abertura democrática lenta e gradual.
Durante os 21 anos do regime, milhares de brasileiros viram amigos, familiares, companheiros, vizinhos e até desconhecidos serem exilados, presos, torturados, desaparecidos ou mortos. Até então, não se tem um número exato de vítimas, mas de acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), foram confirmadas 434 mortes e desaparecimentos no período da ditadura militar no país.
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Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)
Revisão histórica: Evelise Neves
Identidade visual: Agência Comversa
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