Com o golpe de 1964 efetivado, dezenas de políticos tiveram os seus mandatos cassados e os direitos políticos suspensos em todo País. Logo mais, em 5 de fevereiro de 1966, o Ato Institucional nº 3 (AI-3) decretou eleições indiretas nacionais, estaduais e municipais. Através do decreto os senadores, deputados federais ou estaduais, passaram a ter o direito a exercer o cargo de prefeito nas capitais dos estados brasileiros, consideradas áreas de segurança nacional.
No mesmo ano, o Rio Grande do Sul, em uma articulação política que envolveu os deputados da oposição ao regime, construiu um nome que soou unânime para a eleição no Colégio Eleitoral: Rui Cirne Lima. Em uma composição suprapartidária, a maioria absoluta da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul escolhia seu candidato e 31 assinaturas (das 55 possíveis) foram signatárias da candidatura dissidente do regime.
No dia 3 de setembro daquele ano, o movimento em torno da candidatura iniciou com discursos e manifestações que ressaltavam a unidade, presente no slogan da campanha “União pelo Rio Grande”.
A ditadura não aceitou a possível derrota. Exerceu seu arbítrio de todas as maneiras possíveis, para que o candidato do regime fosse eleito. Cassaram parlamentares – tantos quantos necessários – até garantirem a vitória de Walter Peracchi Barcelos como o governador do Estado.
O maior ataque ocorreu no dia 14 de março, quando sete deputados do MDB foram cassados: Darcilio Ivo Giacomazzi, João Brusa Netto, Lauro Hagemann, Mozart Bianchi Rocha, Pedro Gomes Nunes, Rubem Machado Lang e Terezinha Gisela Irigaray Chaise. Pedro Simon, líder da Oposição no Parlamento, lembra daquele momento:
“Baixaram atos complementares, e mais um, e mais um, e mais um, e, numa sessão dolorosa, 23 deputados, numa Assembleia de 51, elegeram o governador.” Pedro Simon
Em todo o Brasil, a ditadura “venceu” em 12 estados – aqueles que realizaram as eleições indiretas.
Após a cassação de tantos companheiros e a vitória do coronel Walter Peracchi Barcelos confirmada, o deputado emedebista Paulo Brossard subiu à Tribuna da Assembleia Legislativa e deu voz àqueles que a ditadura, sob a escusa de preservar e consolidar o golpe a que nomeavam Revolução, calou. Em seu discurso, Brossard lembrou que não estava em jogo a forma de eleição, ou julgá-la, se era legítima ou não. A questão era maior do que essa e ele indagou aos presentes:
O problema está em saber se alguém pode obter o Governo da sua terra mercê da cassação do mandato dos seus conterrâneos, feitas pelo Governo do qual ele fazia parte, feitas em seu proveito, em sua vantagem. Esta é a dolorosa, é a dramática, é a trágica indagação que permanece de pé. Depois de cassados 7 deputados, cujas cadeiras vazias estão aí, como pobres bocas mudas que continuam a falar (...) Pobres bocas mudas! Abertas para que alguém pudesse chegar sem honra e sem glória ao Palácio Piratini.
Por ordem nesta página:
- Acerto MDB Memória
- Acervo Assembleia Legislativa RS
Presidente: Vilmar Zanchin
1º Vice-presidente: José Fogaça
2ª Vice-presidente: Patrícia Alba
3º Vice-presidente: Márcio Biolchi
Secretário-geral: Giovani Feltes
Secretário-adjunto: Fifo Parenti
1º Tesoureiro: Carlos Búrigo
2ª Tesoureira: Lourdes Sprenger
Sec. Especial MDB Mulher: Cris Lohmann
Líder da Bancada: Edivilson Brum
1º Vogal: Sebastião Melo
2º Vogal: Fábio Branco
3ª Vogal: Paula Facco Librelotto
4º Vogal: Beto Fantinel
1ª Suplente: Fátima Daudt
2º Suplente: Gustavo Stolte
3º Suplente: Paulinho Salerno
4º Suplente: Ricardo Adamy
Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)
Revisão histórica: Evelise Neves
Identidade visual: Agência Comversa
Criação Hotsite: Flame Design