Vinte e quatro de março de 1966: uma data que marca a história do Brasil. Neste dia nascia o Movimento Democrático Brasileiro, o MDB.
A legenda surgiu da extinção dos partidos políticos e de sucessivas ações repressivas e arbitrárias da Ditadura Militar, regime instaurado pelo golpe de 1964 no País.
Criado por ato de força, o Ato Institucional nº 2 (AI-2), o MDB de imediato recusou o papel subalterno determinado pelos militares. De oposição “tolerada” se transformou num grande rebelde, canal de expressão dos desejos populares por democracia.
A ditadura fechou sindicatos e instituições estudantis, liquidou com as liberdades individuais, fechou o Congresso Nacional, cassou, perseguiu e exilou líderes. Mas, mesmo diante da mais dura repressão, o MDB não se calou, pelo contrário, se tornou a voz do povo brasileiro.
Durante 21 anos o país viveu sob regime ditatorial, mas a atuação firme e corajosa do MDB/PMDB resultou na redemocratização do Brasil em 1985. O partido foi o protagonista da reconquista do direito ao voto e de todas as liberdades democráticas.
Mesmo sob regime ditatorial, até 1965 as eleições para governador dos estados eram diretas. Após sofrer significativas derrotas com seus candidatos neste ano, o regime endureceu ainda mais e editou o AI-2 para extinguir todos os partidos políticos.
A partir de então, foi permitida a existência de apenas duas siglas, sem a titulação de partido. São elas a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A primeira, de sustentação ao Governo, e a outra, de oposição.
O Manifesto de criação do MDB foi lido no Congresso Nacional no dia 10 de fevereiro de 1966 pelo senador Oscar Passos. A fundação oficial é de 24 de março do mesmo ano.
Trecho do Manifesto de fundação
O Movimento Democrático Brasileiro (...) deseja informar ao povo brasileiro que sua constituição, nesta hora sombria da vida nacional, obedeceu ao indeclinável imperativo de não permitir que ficassem sem voz, mesmo condicionada ao regime de exceção em que vive o país, milhões de brasileiros inconformados com os rumos, incertos e perigosos, que uma minoria obstinada procura imprimir aos destinos do país.
No Rio Grande do Sul, o primeiro presidente do MDB foi Siegfried Emannuel Heuser, que comandou a legenda de 1966 a 1969, sendo substituído por Pedro Simon.
Siegfried Emanuel Heuser
Marcírio Goulart Loureiro, Hermes Pereira de Souza e Walter Von Muhlen
Aldo da Silva Fagundes
João Brusa Neto, Leônidas Xausa, José Mariano Beck, Otávio Caruso da Rocha e Osmar Lautenschleiger
Osvaldo Miller Barlem, Darcy Von Hoonholtz e Alter Cintra de Oliveira
Concebido para ser oposição permitida pela ditadura, de imediato o MDB recusou o papel subalterno, e de oposição “tolerada” se transformou num grande rebelde, conforme nominou o ex-deputado Tarcísio Delgado em seu livro “A História de um Rebelde”. A legenda passou a ser o canal de expressão de todos os que escolheram lutar pela volta da democracia através da força da palavra e das ações pacíficas.
Questionado por essa aguerrida atuação, o ex-senador Pedro Simon entende que o Rio Grande do Sul pagou um preço caro por suas posições. O fato de personalidades políticas da época como o próprio presidente João Goulart e Leonel Brizola serem gaúchos, fez com que a atenção dos militares se voltasse para o estado. Contribuiu também o fato de o RS ser área de fronteira. “A ditatura no Rio Grande do Sul foi horrível, vivemos um verdadeiro terror. Rapidamente o exército tomou conta de tudo e vieram muitas prisões”, recorda Simon.
Por outro lado, o ex-senador destaca que apesar de todos os horrores, a resistência foi construída e aos poucos o MDB foi arregimentando pessoas de todos os municípios para empunhar a bandeira da liberdade e contestar o regime autoritário. “A nossa luta aqui foi qualquer coisa de impressionante. Nossa meta era fazer oposição, derrubar a ditadura e estabelecer a democracia”, e arremata: “Quem entrava no MDB era um verdadeiro herói”.
Era realmente um ato de heroísmo ser de oposição. Quem decidisse lutar junto com o MDB estava sujeito a prisões, cassações, demissões, exonerações se funcionário público, restrições de crédito e intervenções. O que movia estas pessoas era a causa da liberdade, pois sabiam que a batalha seria dramática e sem prazo para terminar.
Por ordem nesta página:
- Acervo MDB Memória (Churrascaria Santa Teresa) - Porto Alegre - 18.02.66
- Acervo MDB Memória (presidentes do MDB/PMDB/MDB)
Presidente: Vilmar Zanchin
1º Vice-presidente: José Fogaça
2ª Vice-presidente: Patrícia Alba
3º Vice-presidente: Márcio Biolchi
Secretário-geral: Giovani Feltes
Secretário-adjunto: Fifo Parenti
1º Tesoureiro: Carlos Búrigo
2ª Tesoureira: Lourdes Sprenger
Sec. Especial MDB Mulher: Cris Lohmann
Líder da Bancada: Edivilson Brum
1º Vogal: Sebastião Melo
2º Vogal: Fábio Branco
3ª Vogal: Paula Facco Librelotto
4º Vogal: Beto Fantinel
1ª Suplente: Fátima Daudt
2º Suplente: Gustavo Stolte
3º Suplente: Paulinho Salerno
4º Suplente: Ricardo Adamy
Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)
Revisão histórica: Evelise Neves
Identidade visual: Agência Comversa
Criação Hotsite: Flame Design