15. FUTURO

INTÉRPRETE DA VONTADE POPULAR

Principal intérprete da vontade do povo brasileiro na luta pela redemocratização do País, o MDB esteve à frente de campanhas históricas que transformaram a nação. A legenda venceu a luta pelo Fim da Tortura e a favor da Liberdade de Imprensa, da Anistia, da Assembleia Nacional Constituinte e do direito ao voto. E o Brasil, ainda hoje, continua sendo a sua pauta permanente.

Ibsen Pinheiro – nosso “eterno grande presidente da Câmara dos Deputados” –, costumava afirmar que a principal virtude do MDB é também o seu maior defeito: um partido amplo e heterogêneo. Ele sustentava que os emedebistas deveriam se unir pelos ideais em comum, e não por aquilo que divergem.

“Ora, as divisões internas são inerentes a um partido do tamanho do nosso. Temos que nos concentrar naquilo que nos une, não no que nos divide. E o que nos une é o Brasil e o Rio Grande”, contextualizava Ibsen defendendo uma agenda de país e de estado.

Ibsen, apaixonado pelo partido, nos ensinou que essas décadas foram tempo suficiente para amadurecer. E, também, que para não envelhecer, é necessário se reinventar.

Por essa razão, perguntamos para alguns dos nossos grandes líderes como – um partido tão grande e com uma história gloriosa como o MDB –, deve atuar para não envelhecer, levando em conta o contexto político do Brasil de hoje? 

A luta vale a pena

José Fogaça, ex-senador e atual vice-presidente do MDB gaúcho sustenta que a trajetória do partido nunca foi fácil: 

“Desde que nasceu como partido político, o MDB nunca navegou em um Mar da Tranquilidade. Este, infelizmente, fica na Lua, e só quem conseguiu pousar lá foram os astronautas da Apollo 11, em 1969. O MDB foi marcado, através da sua história por momentos de turbulência, obstáculos, ameaças e dificuldades”.

Fogaça recorda de momentos trágicos como, em 1968, com a aplicação do Ato Institucional nº 5 (AI-5) pelo governo militar, expressivas lideranças tiveram seus mandatos ceifados pelas cassações e pela repressão. Também da duríssima eleição de 1970, quando, acusado de ser cria do regime militar, a legenda foi abalroada pela campanha do voto em branco. Mas de forma muito positiva, destaca anos, mais tarde, em 1973, quando se ergue-se de forma vigorosa com a anticandidatura de Ulysses Guimarães que, segundo Fogaça, com um gesto de desassombrada coragem, expôs a natureza autoritária e antidemocrática do governo. 

“Em 1978, a figura impávida de Ulysses Guimarães, à frente de uma comitiva do MDB, encara soldados e cães na Bahia, e uma famosa frase sua, dita naquele momento, diante da repressão, espalha-se por todos os cantos do Brasil: “Soldados da minha pátria! Baioneta não é voto e cachorro não é urna!”

Outro fato rememorado pelo nosso sempre senador é quanto à armadilha do voto vinculado em 1982. Fogaça conta que o eleitor era obrigado a votar dentro do que ele define como “uma camisa de força”, ou seja, qualquer voto assinalado para partidos diferentes era totalmente anulado.

Para Fogaça, o grande momento desta belíssima história de rebeldia, contestação e determinação tem o seu ápice em 1986, ano em que o MDB se levanta para construir um novo Brasil. “A vitória retumbante nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte constitui o corolário de uma luta histórica e sem paralelos na história do país”, assegura Fogaça.

No dia 5 de outubro de 1988 Ulysses ergue a nova Constituição do Brasil e consagra perante a nação a conquista plena da democracia e da inauguração da Nova República, momento em que o MDB atinge seu momento culminante.

Perante à essa história, Fogaça conclui: 

“Um partido como esse, que agora chega aos 60 anos de existência, não pode jamais deixar de bradar a plenos pulmões, para que as antigas e novas gerações possam ouvir: a luta vale a pena e a luta continua!”

Justiça social: a urgente bandeira

Ex-deputado, ex-governador e ex-deputado, Pedro Simon – o destemido fundador do MDB que tantas forças arregimentou para que o Movimento Democrático Brasileiro tivesse forças para derrubar um regime autoritário que tomou o poder através de um golpe de Estado – remonta centenas de vezes cada etapa desta luta moldada pelas ideias e pela crença em um Brasil melhor, onde as pessoas fossem livres para exercer plenamente a sua cidadania em todas as esferas. 

“Sem pegar em armas, sem derrubar uma gota de sangue, vencemos à repressão através da construção coletiva, do diálogo, da coragem e pela força de um ideário muito maior do que tudo. Palavra, essa é uma belíssima história. Não a história de um partido apenas, mas a história que se confunde com a própria história do Brasil. E o MDB é isso, é grande, é forte e corajoso.”

Com tantas batalhas percorridas através da legenda do “15”, Simon – com sua eloquência inigualável – não apenas reflete o que é o MDB gaúcho. Sua devoção o tornou a própria instituição no Rio Grande do Sul. Por onde um emedebista gaúcho andar, quando se apresentar, a resposta do interlocutor sempre será: “Ah, terra de Pedro Simon”.

Essa divindade política não se formou à toa. Foi forjada por muito trabalho, garra e espírito público. Simon, que por tantos anos esteve no front de batalha, hoje aos 96 anos continua militando, participando de atividades partidárias e mobilizando seus correligionários. Quando questionado sobre o futuro do partido, é categórico na resposta: 

“Nossa luta garantiu a conquista da democracia, das liberdades individuais e de imprensa, do fim da tortura, da constituinte e do direito ao voto. Mas ainda temos uma tarefa inadiável, a conquista da justiça social. Essa deve ser a bandeira permanente e urgente do MDB”.

Honrar a história, mas com olhar à frente

Líder do governo Simon na Assembleia Legislativa no final da década de 80, quando comandou uma bancada de 27 deputados de um total de 55, o ex-governador Germano Rigotto também é parte desta trajetória. Ele se emociona ao lembrar dos anos de luta a favor da redemocratização do País. 

“No dia 24 de março de 1966 estava surgindo o MDB. Estamos comemorando 60 anos e isso é motivo de orgulho. Celebrar um partido que surgiu de instrumento de oposição ao regime militar, que lutou pela democracia, que esteve à frente da Constituinte e da luta pela Anistia, que liderou as grandes mudanças que tivemos no Brasil, é orgulho, sim”.

Além de orgulho da legenda por qual desempenhou tantos e tão importantes missões, Rigotto acrescenta que tem motivo de orgulho da sua trajetória partidária no MDB. Antes de ser governador, também foi líder da Bancada do MDB na Câmara dos Deputados, onde adquiriu ainda mais experiência política para comandar o Rio Grande do Sul e, no início da vida pública, exerceu o papel de vereador de Caxias do Sul.

Como governador, pacificou o Rio Grande do Sul que passava por uma efervescente polarização política, criou um ambiente de diálogo e de construção e abriu o Estado para a atração de investimentos. Ele atribui o resultado de sua caminhada à inspiração de figuras como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela e Pedro Simon.

Mas Rigotto, que também disputou e venceu uma disputa nacional do partido em 2006 pela indicação da candidatura à presidência da República, avalia de forma crítica esse episódio. “Ganhei uma prévia, mas infelizmente a cúpula do partido na época resistia em ter uma candidatura própria. Um equívoco”, define ele que, em 2018, disputou o cargo de vice-presidente do Brasil.

O governador defende veementemente um projeto nacional de País, pois entende que o MDB tem muito para contribuir com os novos tempos. 

“Podemos e devemos comemorar os 60 anos, mas é importante olhar para o nosso futuro. O MDB precisa ter projeto nacional, candidatura própria à presidência. Tem que passar por um processo de renovação de surgimento de lideranças novas e de oxigenação. O MDB é o partido do futuro, mas para isso, se exige continuidade de trabalho. Celebremos as nossas conquistas, mas estejamos preparados para o futuro”.

Momento de superação

Assim como o ex-governador Germano Rigotto, seu companheiro de jornada, se pronuncia o ex-governador José Ivo Sartori. Com mais de 50 anos dedicados ao MDB e a vida pública – vereador, prefeito, deputado estadual e federal –, Sartori entende que é momento de olhar para frente. Para ele, é fundamental elevar a trajetória que, na definição dele, é sem igual. Mas observa que é imprescindível estar apto aos novos tempos. 

“O momento é de superação, a trajetória é boa e bonita, preparou grandes lideranças e o caminho da transformação e da conquista do processo democrático junto com a sociedade brasileira. Agora, é preciso reavaliar esse processo. Hoje os partidos precisam ter uma outra função. O MDB tem que tomar essa dianteira. Assumir um papel de olhar para a sociedade e para o Brasil como um todo, ter objetivos, conteúdos e claramente o caminho que quer seguir”, alerta Sartori.

Sartori atribui essa responsabilidade a todos os filiados e dirigentes. Observa que cada um deve fazer a sua parte no seu local de atuação. “Não podemos esperar pelos outros”, pontua. Para ele, é indispensável criar um ambiente favorável para a juventude, para as mulheres, para a diversidade e os movimentos sociais como um todo para que, juntos, sejam novamente protagonistas de um processo de construção de um novo tempo para o país, em consonância com o contexto latino-americano e mundial.

“É preciso estar presente de verdade na vida das pessoas e ser portador de esperança. O papel do MDB é ser protagonista da conquista do novo, de uma nova realidade e com superioridade. Fazer essa conquista significa dobrar-se a uma realidade necessária e é o que a população espera de nós”.

E continua:

“Eu posso dizer de coração que fiz a minha parte da melhor maneira possível. E, como aprendi com o meu pai –, digo que é preciso saber de onde a gente veio e o que a gente quer fazer para o futuro. O MDB precisa reencontrar-se consigo mesmo, para saber que aquela realidade histórica precisa ser mantida até os dias atuais”.

Democracia se constrói com respeito

Sebastião Melo, prefeito reeleito de Porto Alegre, é filiado ao MDB desde 1981. Pelo partido também foi vereador por três mandatos, presidente da Câmara Municipal, vice-prefeito e deputado estadual. Melo, que tem a sua trajetória profundamente ligada à militância partidária, destaca o papel histórico da legenda no resgate da democracia no Brasil.  

“O MDB nasceu na luta democrática quando o Brasil mais precisava de coragem para defender a liberdade. Foi fiador da democracia em momentos decisivos da história e ajudou a construir o caminho das instituições, do diálogo e dos direitos. Entre essas conquistas está a liberdade de expressão, princípio fundamental que, em tempos recentes, tem se mostrado bastante combalido”.

O prefeito destaca que a democracia pela qual tanto se lutou, foi construída na divergência, no respeito a quem pensa diferente e no cumprimento da Constituição. Portanto, realça a importância de se manter esse ambiente harmônico.

“Radicalismo não tapa buraco, não gera oportunidades, não abre vaga em creche e nem melhora o atendimento no posto de saúde. Não se faz proteção social sem desenvolvimento econômico”.

Sobre o futuro que espera do MDB, é categórico:

“Para seguir atual, um partido precisa manter suas raízes e ouvir o presente para construir o futuro. Dialogar com os jovens, estar perto das pessoas, enfrentar problemas e entregar soluções. Partido que escuta e aprende, se renova e amadurece junto com o Brasil”.

Diálogo e compromisso para seguir em frente

Representante de uma nova geração de emedebistas, o vice-governador Gabriel Souza, que se filiou aos 16 anos ao MDB, começou a sua atuação política na Juventude do partido, núcleo do qual foi presidente estadual e nacional. Na sequência, de forma muito natural, iniciou a trajetória pública através da participação efetiva da democracia: colocar o nome à disposição do voto.

Percorreu o caminho das urnas, se elegeu deputado estadual. No Parlamento gaúcho, foi líder do Governo Sartori e presidente da Assembleia Legislativa. Seu desempenho, dedicação e trabalho lhe alçaram a voos ainda mais altos. Em 2022, se elegeu vice-governador do Rio Grande do Sul e, agora, em março de 2026, é o nome do MDB para governar o Rio Grande do Sul.

Gabriel foi aclamado pré-candidato do MDB ao Palácio Piratini no Congresso Estadual do partido em novembro de 2025, evento resultante de uma série de encontros realizados no interior do Estado que lhe conferiram essa missão.

Ao ser questionado sobre o papel que a legenda deve exercer para se manter atual após seis décadas, o vice-governador afirma que é preciso honrar a história emedebista, mas com horizonte sempre à vista.

“Para seguir relevante, o MDB precisa honrar sua história, mas também olhar para o futuro e apresentar respostas claras para os desafios do nosso tempo. Isso significa abrir espaço para novas lideranças, manter o diálogo com a sociedade e reafirmar compromissos que considero fundamentais: responsabilidade fiscal, um Estado mais eficiente, incentivo ao desenvolvimento com inovação e políticas públicas que realmente melhorem a vida das pessoas”.

O vice-governador conclui que somente com essa visão, a nova geração poderá atualizar o legado do partido e manter o MDB como uma força de equilíbrio e construção no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Presidente: Vilmar Zanchin
1º Vice-presidente: José Fogaça
2ª Vice-presidente: Patrícia Alba
3º Vice-presidente: Márcio Biolchi
Secretário-geral: Giovani Feltes
Secretário-adjunto: Fifo Parenti
1º Tesoureiro: Carlos Búrigo
2ª Tesoureira: Lourdes Sprenger
Sec. Especial MDB Mulher: Cris Lohmann
Líder da Bancada: Edivilson Brum
1º Vogal: Sebastião Melo
2º Vogal: Fábio Branco
3ª Vogal: Paula Facco Librelotto
4º Vogal: Beto Fantinel
1ª Suplente: Fátima Daudt
2º Suplente: Gustavo Stolte
3º Suplente: Paulinho Salerno
4º Suplente: Ricardo Adamy

Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)

Revisão histórica: Evelise Neves

Identidade visual: Agência Comversa

Criação Hotsite: Flame Design

MDB | Rio Grande do Sul