14. NO RIO GRANDE E NO BRASIL
Luta, derrota, superação e vitória. Assim é a história do MDB do Rio Grande do Sul. Surgiu da batalha por liberdade, sofreu perdas, se reergueu e alcançou objetivos. Foi desafiador, rebelde, pioneiro e fez a diferença ao puxar para si a responsabilidade de causas nacionais. Foi doutrinador em posições e protagonista na esfera político-partidário. Assim também se caracteriza por sua atuação ao defender o desenvolvimento do território gaúcho. Perdendo ou ganhando, esteve presente nas disputas eleitorais para o Governo do Estado.
Após o processo de redemocratização, foi o único partido a governar quatro vezes o Rio Grande do Sul e, também, contar um vice-governador eleito.
Ainda durante o regime militar, em 1982 – quando foi devolvido ao povo o direito de eleger os seus governadores –, buscou o seu espaço para defender uma proposta que correspondesse a uma mudança significativa para aquele período. Tendo como candidato Pedro Simon, o MDB perde a eleição por um pouco mais de 22 mil votos, o que correspondia a menos de 1% do eleitorado.
Ao falar sobre esse episódio o saudoso Rospide Neto, deputado estadual à época, atribuiu àquela derrota a mais uma artimanha da Ditadura: o voto vinculado. Ele explica que com a volta do pluripartidarismo o PDT ganhava força no interior e para que o eleitor votasse num parlamentar daquela legenda, necessariamente precisaria votar no candidato a governador do mesmo partido. “Então, mesmo que o eleitor quisesse escolher Simon, não poderia, pois tinha que votar de cabo à rabo em candidatos da mesma legenda. Dessa forma à oposição se dividiu e fortaleceu a situação”, exemplificou Rospide.
Naquele pleito Jair Soares (PDS) foi eleito com 1.294.962 votos (34,1%). Pedro Simon (PMDB) obteve 1.272.319 votos (33,5 %) e Alceu Collares (PDT) 775.546 (20%).
A derrota não desestimulou o MDB, pelo contrário, foi combustível para a próxima batalha: as eleições de 1986.
Novamente candidato, Pedro Simon, junto com seu correligionário e companheiro de chapa Synval Guazzelli, venceu com 2 milhões de votos, conquistando 41% do eleitorado, mesmo na disputa com outros quatro concorrentes. A vitória de Simon abriu o caminho para outros três emedebistas que viriam comandar o Palácio Piratini: Antônio Britto, Germano Rigotto e José Ivo Sartori. Também, na parte executiva, o MDB ainda conquistou o cargo de vice-governador com Gabriel Souza.
Sobre as características das gestões emedebistas, os líderes do partido são unânimes ao afirmar que o cuidado com os recursos públicos e a ética na política são as principais marcas do partido no comando do Estado. Questionados sobre os seus próprios governos e de seus sucessores e antecessores, sintetizamos os seguintes perfis:
Eleição: 1986
Votos: 2.009.381 votos (41,68%)
Governo: 15 de março de 1987 até 1º de abril de 1990
Marcas:
Foi um governo desbravador que investiu na infraestrutura das estradas, duplicando a malha rodoviária. No seu período foram asfaltados 2,5 mil quilômetros de rodovias, incluindo a construção da Estrada do Mar. Todas essas obras sem aumentar a dívida pública do Estado. Inclusive, foi o único governador a reduzir essa despesa. A democratização da cultura e o resgate do atendimento social também são pontos de destaque de sua gestão.
Eleição: 1994
Votos 1º turno: 2.211.270 votos (49,20%)
Votos 2º turno: 2.679.701 (52,21%)
Governo: 1º de janeiro de 1995 até 31 de dezembro de 1998
Marcas:
A gestão foi marcada pela venda de ativos que ampliaram a abrangência dos serviços públicos, tornando-os mais acessíveis à população gaúcha. Com esse posicionamento, criou condições para ampliar a estrutura do Estado e investir em todas as áreas da administração pública. Foi um governo de plena efervescência no setor de infraestrutura, com obras realizadas em praticamente todos os municípios. A atração de investimentos também foi destaque.
Germano Rigotto
Eleição: 2002
Votos 1º turno: 2.426.880 (41,16%)
Votos 2º turno: 3.148.788 (52,67%)
Governo: 1º de janeiro de 2003 até 1º de janeiro de 2007
Marcas:
Num período de extremo enfrentamento político-partidário, foi capaz de obter a harmonia entre as diferentes correntes de pensamento, respeitando a todos e garantindo a pacificação no Rio Grande do Sul. Apesar das graves secas que enfrentou, reabriu o estado para a atração de investimentos e criou programas de reconhecimento mundial, como o Primeira Infância Melhor (PIM). Também é reconhecido pela lisura dos recursos públicos.
Eleição: 2014
Votos 1º turno: 2.487.889 (40,4%)
Votos 2º turno: 3.859.611 (61,21%)
Governo: 1º de janeiro de 2015 até a atualidade
Marcas:
O governo José Ivo Sartori enfrentou de forma corajosa a mais grave crise fiscal da história do Rio Grande do Sul. Com determinação e transparência, promoveu reformas profundas e antecipou debates necessários que reorganizaram as finanças públicas e prepararam o Estado para um novo ciclo de crescimento e entregas, aprovando, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual. O reequilíbrio financeiro pavimentou um caminho que permitiu ao Estado recuperar seu poder de investimento e oferecer serviços públicos de qualidade à sociedade.
De herói da resistência à líder máximo do MDB gaúcho
Ainda como líder estudantil e vereador em Caxias do Sul, sua terra natal, Pedro Simon superou divergências políticas e ideológicas a favor da sociedade, demonstrando seu espírito público. E em plena Ditadura Militar a voz dele soou como um trovão ao defender os interesses do Rio Grande do Sul diante do general Ernesto Geisel, presidente militar (1974-1979). Na época – como deputado estadual e uma liderança de oposição ao regime –, Simon foi o interlocutor do Estado na coordenação de uma comissão formada pelo MDB-Arena e coube a ele a responsabilidade de convencer Geisel pela decisão de implantar o Polo Petroquímico em terras gaúchas. A coragem e a voz daquele jovem parlamentar causaram grande impacto e a sua luta permitiu essa conquista para o Rio Grande do Sul.
Atualmente as empresas instaladas naquele complexo são exemplos econômicos e de tecnologia e geram aproximadamente milhares de empregos e somam faturamento na casa de bilhões por ano para o RS.
Como líder do MDB, Simon fez a diferença e colocou o Estado no centro das discussões que transformaram o País. Muito por sua atuação, numa época em que o Congresso Nacional estava fechado e a imprensa calada, a Assembleia Legislativa gaúcha era a única a manter as suas portas abertas.
Ao lado de líderes como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela, empunhou a bandeira das “Diretas-Já” e foi protagonista da redemocratização. Sua maior frustração, porém, foi a de Tancredo não ter tido saúde para presidir o País por qual tanto lutou. “Para devolver a democracia ao Brasil ele sacrificou a sua própria vida”, repete Simon sempre que relembra a história que ajudou a construir.
Mas a perda de Tancredo deu ainda mais força para os ideais desse gaúcho de fibra e seguidor dos pensamentos de Alberto Pasqualini. Ao se eleger para o primeiro mandato de senador no final da década de 70, sua liderança se consolidou e ele se transformou em uma verdadeira referência nacional de ética e de moral, respeitado pela sociedade e por líderes de todas as legendas políticas.
É marca de Simon a contribuição na construção de políticas concretas que hoje são patrimônios do Brasil, como o Plano Real, aprovado em 1994. Naquele importante momento econômico para o país sua atuação como líder do Governo Itamar Franco no Senado foi fundamental. Os consecutivos mandatos de Simon no Senado da República tiveram alguns intervalos para importantes missões, como a de ministro da Agricultura e governador do Rio Grande do Sul, até hoje reconhecido como o administrador que mais construiu estradas. Foram 2,5 mil quilômetros.
Nos anos que esteve em Brasília, no Senado da República, duelou permanentemente pelo interesse coletivo. Sua voz imponente derrubou ministros que ousaram confundir o público com o privado. Teve papel fundamental no impeachment do presidente Fernando Collor e na coordenação da CPI dos Anões do Orçamento. Essas lutas vistas por muitos como quase inglórias foram a sua marca e ele mantém a esperança de que elas valem a pena. Pela primeira vez na história do Brasil, estamos vendo políticos corruptos sendo punidos pela Justiça. Isso certamente também é capital político de Pedro Simon.
Encerrado seu mandato no Senado Federal em 31 de janeiro de 2015 – data de seu aniversário de 85 anos –, com invejável vitalidade Simon percorreu o Brasil para proferir palestras e debater política com a sociedade.
Senador (1985 a 1986) e Ministro dos Transportes (1996 a 1997)
Ministros dos Transportes (1997 a 2001) e da Aviação Civil (2015)
Presidente da Câmara dos Deputados (1991 a 1993), quando ocupou a cadeira de Presidente da República em oportunidades
Senador (1987 a 2003) e presidente nacional do MDB
Chefe da Civil do Governo Sarney (1989 a 1990)
Ministro da Agricultura (2011 a 2013)
Ministro da Justiça (1995 a 1997), Ministro do Supremo Tribunal Federal – STF (1997 a 2006), sendo presidente da Corte (2002), e Ministro da Defesa (2007 a 2011)
Ministro dos Transportes (1995 a 1996)
Senador (1975 a 1983), Ministro da Justiça (1986 a 1989), Ministro Supremo Tribunal Federal – STF (1989 a 1994), sendo presidente da Corte (1992)
A ideia de discutir os rumos do Brasil e construir propostas que conduzam a uma sociedade democrática sempre esteve na essência do MDB. E a participação do Rio Grande do Sul como agente de transformação foi determinante para as conquistas em busca da redemocratização do país. Não foi à toa que, ainda no final dos anos de 1960, lideranças gaúchas reuniam-se informalmente, às vezes secretamente, para debater e analisar a situação sociopolítica da época, criando as grandes teses nacionais.
Esses encontros passaram a ser cada vez mais frequentes, as discussões avolumaram-se e as reuniões tornaram-se o berço do Instituto de Estudos Políticos Econômicos e Sociais (IEPES). O IEPES foi oficializado em 1973 e, em 1975, transformou-se em Fundação Pedroso Horta, em nível nacional, tendo o senador Pedro Simon como secretário-geral. Também visava à formação de novos pensadores sociais e líderes políticos. Mais tarde, em homenagem ao grande líder peemedebista, a Fundação foi batizada de Ulysses Guimarães, tornando-se a FUG.
Sob a presidência do então deputado estadual Pedro Simon, e coordenado pelo professor André Forster, foi criado o IEPES, transformando Porto Alegre no mais importante centro político de resistência à Ditadura Militar.
Participaram de conferências e debates pela madrugada, na Assembleia Legislativa, personalidades como Oscar Pedroso Horta, Fernando Henrique Cardoso, Mario Soares, Paul Singer, Francisco de Oliveira, Vinicius Caldeira Brandt, Sobral Pinto, Roland Corbusier, general Peri Constant Bevilacqua, Bolívar Lamounier, entre outros.
A partir de 1974, os intelectuais passaram a levar mais a sério o partido que se opunha à ditadura. Isso graças ao voto de confiança dado pelas massas populares à legenda, como destaca o historiador Rodrigo Sá Motta em seu texto “O MDB e os Intelectuais”.
Mas o fundamental a destacar é como mudou a intelectualidade ao que se refere ao MDB. Antes encarado com desconfiança e ceticismo, o partido passou a ser visto como um instrumento importante na luta pela democracia.
Essa aproximação com os intelectuais acaba se tornando positiva e essencial para o partido, pois abria espaço em novos segmentos sociais e, também, crescia seu apelo político e eleitoral.
A intelectualidade passou a encarar com outros olhos a questão democrática e deixou de ser sinônimo de formalismo institucional e passou a ser sinônimo de participação.
"Um partido político tem que reacender a esperança, devolver às pessoas o direito de sonhar e, uma vez no poder, demonstrar capacidade para transformar esses sonhos em realidade". Forster, André
Contar a história do IEPES exige descrever um pouco a trajetória de um de seu idealizador, o sociólogo André Forster, falecido em 1996 em Porto Alegre.
Forster foi líder estudantil, professor universitário e vereador pelo PMDB de 1982 a 1986 e presidiu o partido de 1989 a 1996. Através do IEPES, e de sua liderança, a organização, a militância, a formação dos filiados e não filiados ao MDB, ganhavam qualidade e estruturavam a ação em favor da democracia.
Sobre o século 21, que se avizinhava, proferiu uma de suas memoráveis frases:
“Estamos no limiar de um novo século, e nossa questão central continua sendo a dignidade do ser humano.”
Já como Fundação Ulysses Guimarães (FUG) o Instituto de Estudos políticos do PMDB, com objetivo de estruturar cursos (presenciais e a distância) de formação para a cidadania que discutam diferentes temas, iniciou em 2007 o projeto-piloto de Ensino a Distância (EAD) no Rio Grande do Sul. A iniciativa foi idealizada pelo então presidente da FUG, saudoso deputado Eliseu Padilha, e foi aprovada na Convenção Estadual do partido naquele ano.
O vencimento do primeiro ciclo no estado foi com o curso para formação de mediadores, realizado em Caxias do Sul no dia 19 de maio de 2008. O sábado gelado na Serra gaúcha foi aquecido pelo caloroso debate político, anunciando o sucesso que o projeto atingiria.
Depois da formação dos primeiros mediadores em Caxias, o EAD alcançou todas as regiões do Rio Grande do Sul, com dezenas de turmas em funcionamento. E a iniciativa se revelou sucesso absoluto com a entrega dos primeiros 15 mil diplomas a alunos de todo o RS, em cerimônia realizada na Ulbra/Canoas.
Com a diplomação dos primeiros 15 mil alunos no Rio Grande do Sul, a formação política se torna referência nacional, com milhares de acadêmicos formados em todo o Brasil.
Atual presidente nacional da Fundação Ulysses Guimarães, o deputado federal Alceu Moreira avalia o projeto de formação política do partido:
"Nós, do MDB, por meio da Fundação Ulysses Guimarães, formamos líderes para que as decisões que irão incidir na vida dos brasileiros possam ser as mais qualificadas e assertivas possíveis. O líder é um guia, seja por informação, conhecimento articulação ou sensibilidade, e quando aprimoramos a sua qualidade, ele será certamente uma ferramenta muito mais eficaz e de solução de vida para as pessoas."
Para saber mais:
Site: www.fundacaoulysses.org.br
Presidente: Vilmar Zanchin
1º Vice-presidente: José Fogaça
2ª Vice-presidente: Patrícia Alba
3º Vice-presidente: Márcio Biolchi
Secretário-geral: Giovani Feltes
Secretário-adjunto: Fifo Parenti
1º Tesoureiro: Carlos Búrigo
2ª Tesoureira: Lourdes Sprenger
Sec. Especial MDB Mulher: Cris Lohmann
Líder da Bancada: Edivilson Brum
1º Vogal: Sebastião Melo
2º Vogal: Fábio Branco
3ª Vogal: Paula Facco Librelotto
4º Vogal: Beto Fantinel
1ª Suplente: Fátima Daudt
2º Suplente: Gustavo Stolte
3º Suplente: Paulinho Salerno
4º Suplente: Ricardo Adamy
Textos: Carla Garcia (MTB 12.630) e Juliane Pimentel (MTB 16.656)
Revisão histórica: Evelise Neves
Identidade visual: Agência Comversa
Criação Hotsite: Flame Design